
O brumadense Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo ataque a tiros no Morumbi Shopping, em São Paulo, voltou a chamar a atenção pública após ser visto circulando em um shopping de Salvador. A aparição ocorreu cerca de dois anos após ele deixar o Hospital de Custódia e Tratamento (HCT), por decisão da Justiça da Bahia. Imagens compartilhadas por frequentadores nas redes sociais e em aplicativos de mensagens repercutiram amplamente e reacenderam o debate sobre um dos casos criminais de maior repercussão do país.
Segundo informações divulgadas, Mateus foi desinternado após autorização do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O processo tramita sob segredo de Justiça, e os fundamentos técnicos que embasaram a decisão não foram tornados públicos. A presença dele em um centro comercial chamou atenção por remeter ao local onde ocorreu o ataque de 1999, embora não haja informação de qualquer incidente ou comportamento que motivasse intervenção das autoridades durante a passagem pelo shopping.
Na noite de 3 de novembro de 1999, quando tinha 24 anos, Mateus entrou em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, na capital paulista, onde era exibido o filme Clube da Luta. Conforme o processo, ele efetuou disparos que mataram três pessoas e deixaram outras quatro feridas. As vítimas fatais foram a fotógrafa Fabiana Lobão Freitas, de 25 anos, o economista Júlio Maurício Zemaitis, de 29, e a publicitária Hermé Luísa Jatobá Vadasz, de 46 anos. No início da ação, parte do público acreditou que os estampidos faziam parte da trilha sonora do filme.
Durante o julgamento realizado em 2004, Mateus afirmou que escolheu aquela sessão por se identificar com o personagem principal do filme. Também relatou que, anos antes, ainda em Salvador, entrou armado com um bisturi em um cinema, mas desistiu de qualquer ação e deixou o local sem provocar vítimas. No processo, a defesa apresentou elementos para sustentar a existência de um transtorno psiquiátrico, incluindo episódios anteriores de comportamento violento e os relatos do próprio réu sobre alterações mentais.
Inicialmente, Mateus foi condenado a 120 anos e seis meses de prisão, pena posteriormente reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 48 anos e nove meses. Em 2011, a Justiça da Bahia reconheceu sua inimputabilidade penal em razão de diagnóstico psiquiátrico, determinando o cumprimento de medida de segurança no Hospital de Custódia e Tratamento, em Salvador. Após a desinternação, autorizada judicialmente, ele publicou um e-book em que apresenta sua versão sobre o caso e reúne documentos judiciais e laudos relacionados ao processo.