Durante prisão, Lula orientou campanha de Haddad em 2018 por cartas e encontros semanais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve contato frequente com Fernando Haddad durante o período em que ficou preso em Curitiba, no Paraná, em decorrência de condenação na Operação Lava Jato. Segundo informações levantadas, Haddad visitava Lula semanalmente antes do início do segundo turno da eleição presidencial de 2018. A estratégia da campanha petista era orientada por cartas e mensagens transmitidas por aliados.

Na época, Lula estava impedido de disputar a eleição após decisão da Justiça Eleitoral, que barrou sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. Mesmo preso, o então ex-presidente participou da articulação política do partido e oficializou Haddad como candidato ao Palácio do Planalto por meio de uma mensagem divulgada em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba.

De acordo com registros do período, Lula permaneceu 580 dias preso e tinha autorização para manter comunicação por correspondências escritas e visitas dentro das regras estabelecidas pela Justiça. O contato com aliados ocorreu principalmente por meio de advogados e pessoas autorizadas. Haddad também possuía procuração para atuar na defesa do petista durante parte desse período.

Após o primeiro turno da eleição de 2018, Haddad reduziu a frequência das visitas e se reuniu com Lula para receber orientações sobre a campanha. Segundo relatos, o então candidato foi aconselhado a intensificar a presença nas ruas para tentar reverter a vantagem de Jair Bolsonaro, que avançou para a segunda etapa da disputa eleitoral.

O episódio voltou a ser citado após as medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados de Bolsonaro passaram a comparar as restrições aplicadas ao ex-presidente com a situação vivida por Lula durante a prisão, enquanto integrantes do PT afirmam que os casos possuem diferenças jurídicas.

A Justiça autorizou Lula a se comunicar por cartas durante o período de detenção, com base na Lei de Execuções Penais, que garante aos presos o contato com o mundo exterior por correspondência, leitura e outros meios de informação. As condenações contra Lula foram anuladas pelo STF em 2021, após a Corte entender que os processos não tramitaram na jurisdição adequada e reconhecer a parcialidade do então juiz Sergio Moro.

Atualmente, as restrições impostas a Bolsonaro ocorrem em outro contexto jurídico, após decisões relacionadas ao processo sobre tentativa de golpe de Estado. Segundo as decisões judiciais, as medidas foram determinadas para impedir possíveis descumprimentos de ordens impostas durante a tramitação do caso. A defesa de Bolsonaro e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questionaram parte das restrições.

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