
A pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a eleição presidencial de 2026 enfrenta disputas internas entre aliados por espaço nas áreas de comunicação, elaboração do plano de governo e atuação jurídica. Os embates acontecem enquanto o petista busca consolidar sua candidatura à reeleição e ampliar a vantagem apontada por pesquisas recentes sobre adversários.
Na área de comunicação, integrantes do núcleo político de Lula travam discussões sobre a estratégia que será adotada durante a campanha. Segundo relatos de aliados, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, e o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, divergiram sobre o tom de peças publicitárias produzidas para o governo.
De acordo com pessoas próximas ao presidente, Lula teria criticado uma campanha considerada mais festiva e defendido uma abordagem diferente. A discussão envolveu integrantes da equipe e terminou com uma intervenção do próprio presidente para encerrar o debate. Sidônio, porém, teria minimizado o episódio e negado a existência de conflito.
Outro ponto de disputa envolve a elaboração do plano de governo para um eventual novo mandato. O coordenador do programa, Sérgio Gabrielli, gerou debate ao questionar publicamente a condução da política de juros como ferramenta de combate à inflação. A manifestação provocou reação de aliados ligados ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que defendeu maior participação da equipe econômica na construção da proposta.
Além da comunicação e do programa de governo, a organização jurídica da campanha também passou a ser discutida entre integrantes do partido. Lula demonstrou preocupação com o combate à desinformação, ao uso de inteligência artificial e às estratégias jurídicas durante o período eleitoral.
Segundo aliados, o presidente teria defendido a participação do advogado Marco Aurélio Carvalho, do grupo Prerrogativas, na coordenação jurídica da campanha. No entanto, o presidente do PT, Edinho Silva, trabalha pela manutenção de parte da estrutura utilizada em 2022 e defende uma atuação mais técnica da equipe responsável pelos processos eleitorais.
Enquanto parte dos aliados avalia que a campanha precisa de uma atuação jurídica mais política diante dos desafios eleitorais, outro grupo defende uma postura mais discreta e técnica nos tribunais. O PT informou que não existe disputa interna no setor jurídico e afirmou que a equipe trabalha normalmente na preparação da pré-campanha.
Com a aproximação do período oficial da disputa presidencial, Lula e seus aliados buscam organizar a estrutura da campanha e definir responsabilidades entre os grupos que integram o núcleo político. As decisões sobre comunicação, plano de governo e estratégia jurídica devem influenciar a preparação do partido para a eleição de 2026.