
A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros aumentou a pressão política e econômica sobre a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio feito pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (15) provocou reação negativa entre entidades empresariais, que apontaram preocupação com possíveis prejuízos às exportações brasileiras e criticaram a condução das negociações pelo governo federal.
Segundo representantes do setor produtivo, a medida norte-americana pode reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a sobretaxa poderia ter sido evitada com uma atuação considerada mais técnica e pragmática do governo Lula nas relações comerciais com Washington.
Além da Fiesp, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também demonstrou preocupação com os efeitos da nova cobrança. A entidade avaliou que o aumento das tarifas ocorre em um momento de pressão sobre as exportações brasileiras e pode ampliar a insegurança para empresas que dependem do mercado norte-americano.
Na avaliação de setores empresariais, a decisão dos Estados Unidos está relacionada ao desgaste diplomático entre os dois países. Críticos do governo Lula afirmam que declarações políticas e conflitos com a administração Trump contribuíram para o agravamento da relação comercial, enquanto o Palácio do Planalto defende que a medida americana é uma decisão unilateral.
Com a nova regra, mais de 2.100 produtos ficaram fora da cobrança adicional, mas segmentos como móveis, calçados, setor têxtil, madeira e outros produtos industriais permanecem entre os mais afetados. A tarifa de 25% começa a valer a partir de 22 de julho, conforme o anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos.
Diante do cenário, o governo brasileiro informou que avalia medidas de resposta, incluindo a possibilidade de aplicar a chamada lei de reciprocidade comercial. Especialistas alertam que uma escalada de tarifas entre os dois países pode aumentar os custos para empresas brasileiras e dificultar ainda mais o acesso ao mercado americano.
Enquanto as negociações seguem em discussão, entidades industriais cobram uma reação do governo federal para reduzir os impactos econômicos. O setor produtivo teme perda de contratos, redução de margens de lucro e substituição de fornecedores brasileiros por empresas de outros países.