Alta do diesel pressiona mercado; setor diz que medidas do governo não resolvem crise e alerta para risco no abastecimento

Pressão no mercado de combustíveis aumentou após representantes do setor avaliarem que as medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta do diesel não são suficientes para equilibrar os preços. Empresários e lideranças do transporte afirmam que os descontos anunciados ajudam, mas não cobrem a diferença atual entre os valores praticados no Brasil e as cotações internacionais.

Avaliação do mercado aponta que o desconto de R$ 0,64 por litro, resultado da isenção de tributos federais e da criação de subsídios para produtores e importadores, está distante da defasagem registrada atualmente. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis mostra que o diesel vendido nas refinarias da Petrobras chegou a ficar R$ 1,61 abaixo do preço de paridade internacional nesta quinta-feira (12).

Lideranças do transporte rodoviário defendem medidas mais amplas para evitar novos aumentos. Presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim afirmou que a solução passa por diálogo entre governo federal e estados para discutir a redução do ICMS, imposto que hoje representa parcela relevante do preço final pago pelos consumidores.

Impacto do tributo estadual pesa diretamente no valor nas bombas. Estimativas indicam que o ICMS corresponde a cerca de R$ 1,17 por litro do diesel, aproximadamente 19% do preço médio pago pelo consumidor. Diante desse cenário, representantes da categoria afirmam que a retirada parcial ou total desse imposto poderia ajudar a reduzir o custo do transporte de cargas no país.

Movimentação recente do mercado também preocupa caminhoneiros e empresários do setor logístico. Segundo lideranças da categoria, algumas regiões registraram aumento superior a 25% no preço do diesel nas últimas semanas, especialmente no Centro-Oeste, o que elevou o custo do frete e pressionou a cadeia de abastecimento.

Dados da empresa de monitoramento Edenred TicketLog apontam que o preço médio do diesel subiu 7,7% no Brasil após o início da guerra internacional que impactou o mercado de petróleo. As maiores altas foram registradas nas regiões Nordeste, com aumento de 8,79%, e Centro-Oeste, com elevação de 7,11%.

Política de preços da Petrobras também entrou no centro do debate. A estatal não reajusta oficialmente o diesel nas refinarias há mais de 300 dias, embora parte da alta internacional venha sendo refletida em operações pontuais de venda. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou recentemente que ainda é cedo para definir qual será o patamar definitivo das cotações do petróleo no mercado global.

Dependência externa amplia o risco para o abastecimento brasileiro. Aproximadamente um quarto de todo o diesel consumido no país é importado, sendo metade trazida pela própria Petrobras e o restante por empresas privadas. Com preços internos abaixo da paridade internacional, importadores afirmam que a atividade fica menos atrativa e pode reduzir a oferta do combustível no mercado nacional.

Avaliação do setor é de que as medidas anunciadas pelo governo representam um primeiro passo, mas ainda precisam de ajustes para produzir efeito real. Presidente da Abicom, Sérgio Araújo afirmou que o subsídio é importante diante da alta do petróleo, mas destacou que o mercado ainda analisa como a subvenção funcionará na prática para garantir equilíbrio entre preços e abastecimento.

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