
A eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara provocou debates intensos entre políticos e ativistas. Com 11 votos a favor e dez em branco, Hilton tornou-se a primeira mulher trans a liderar o colegiado, ao lado de Duda Salabert (PDT).
A reação de setores da direita era esperada, mas a surpresa veio de fragmentos da própria esquerda, que questionam se uma mulher trans deveria ocupar a presidência da comissão. Para a maioria, entretanto, uma mulher trans é mulher e deve ser reconhecida como tal.
Críticas vêm de grupos que se definem como “críticas de gênero”, como o Sagrado Feminino Real, que defende a centralidade da experiência material das mulheres. Relatos de violência e assédio em penitenciárias femininas, por exemplo, são citados como argumento para limitar o acesso de pessoas trans a certas políticas públicas.
Defensores de Hilton argumentam que experiências de mulheres variam conforme classe, raça e contexto social, e que a parlamentar trans e negra traz recorte de gênero e racial, além de perspectiva periférica, ampliando a representatividade da comissão.
Especialistas e profissionais, como a ginecologista Daniela Menezes, afirmam que não há impedimento biológico ou médico para que mulheres trans liderem comissões voltadas à pauta feminina. A discussão evidencia que a categoria feminina não é homogênea e que políticas públicas devem considerar diferentes vivências e contextos sociais, não apenas marcadores biológicos.
Hilton afirmou que não se deixa abalar por críticas transfóbicas e destacou a importância da diversidade na representação política. A eleição marca um momento de tensão e reflexão sobre inclusão, identidade e direitos das mulheres na política brasileira.