
Levantamento nacional revela que o consumo de drogas ilícitas no Brasil cresceu cerca de 80% em pouco mais de uma década. Pesquisa coordenada pela Universidade Federal de São Paulo aponta que a maconha lidera esse avanço, consolidando-se como a substância mais utilizada no país e principal responsável pela mudança no cenário.
Dados mostram que a proporção de brasileiros que já experimentaram drogas ilícitas saltou de 10,3% em 2012 para 18,7% em 2023. Crescimento expressivo também aparece no consumo recente, que praticamente dobrou no período e passou de 4,5% para 8,1%, indicando uma expansão consistente e preocupante do uso.
Cenário atual indica que cerca de um em cada cinco brasileiros já teve contato com drogas ilícitas ao menos uma vez. Estimativas apontam que mais de 28 milhões de pessoas já experimentaram maconha, número que mais que dobrou nos últimos anos e reforça o papel central da substância nesse avanço.
Facilidade de acesso surge como fator determinante para esse crescimento. Pesquisas indicam que aproximadamente 70% dos adultos consideram simples obter maconha no Brasil, o que ajuda a explicar a ampliação do consumo e o aumento da presença da droga em diferentes contextos sociais.
Enquanto isso, substâncias como cocaína e crack apresentaram relativa estabilidade ao longo do período analisado. Especialistas alertam, no entanto, que essas drogas continuam associadas a quadros mais graves de dependência e vulnerabilidade, mantendo impacto significativo na saúde pública.
Perfil dos usuários também mudou de forma significativa nos últimos anos. Crescimento mais acentuado foi registrado entre mulheres, especialmente jovens, com aumento expressivo do consumo entre adultas, fenômeno que chama atenção de pesquisadores e reforça a necessidade de políticas específicas.
Além disso, avanço de drogas sintéticas e alucinógenas indica um mercado cada vez mais diversificado. Uso de substâncias como ecstasy praticamente triplicou, refletindo novas tendências de consumo e ampliando os desafios para autoridades e profissionais de saúde.
Metodologia do estudo incluiu entrevistas com mais de 16 mil pessoas em todo o país, garantindo representatividade nacional. Resultados permitem comparação com levantamentos anteriores e reforçam o alerta sobre a rápida transformação no padrão de consumo de drogas no Brasil.