Feminicídios triplicam na Bahia em uma década e expõem falhas no governo

O número de feminicídios na Bahia atingiu um patamar crítico nos últimos dez anos. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), os casos de assassinatos por motivação de gênero saltaram de 535 em 2015 para 1.470 em 2025 em todo o país. A Bahia ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Em 2025, foram registrados 103 feminicídios no estado, sendo Salvador a cidade com maior incidência: 94 ocorrências desde 2020, com 11 mortes no último ano. Feira de Santana e Camaçari vêm em seguida, com seis e quatro casos, respectivamente.

O aumento expressivo dos feminicídios ganhou contornos trágicos em episódios recentes. Em Salvador, uma mulher foi morta pelo ex-companheiro no bairro de Pernambués, e uma criança de 12 anos ficou ferida. Em Feira de Santana, o crime ocorreu diante dos filhos da vítima, enquanto em Camaçari, o agressor também tentou contra a própria vida, evidenciando a letalidade do ciclo de posse e controle.

Para a advogada Fernanda Graziella Bispo Barbosa, presidente da Comissão de Proteção aos Direitos da Mulher da OAB-BA, a violência letal é apenas a ponta do iceberg. “O feminicídio começa muito antes com agressões psicológicas, patrimoniais e sexuais, muitas vezes naturalizadas. A sociedade ainda tem dificuldade de perceber e prevenir esses atos”, afirmou.

Segundo ela, cerca de 68% das mulheres não reconhecem os tipos de violência que sofrem, o que dificulta a prevenção e reforça o ciclo de agressão.

Fernanda também alerta que estereótipos de gênero e a culpabilização das vítimas contribuem para a escalada da violência. “Quando uma mulher foge dos padrões impostos, ela é vista como autorizando a violência contra si. É preciso desconstruir esses estereótipos e mobilizar toda a sociedade no combate a esse problema”, destacou.

Ranking nacional de feminicídios em 2025

PosiçãoEstadoCasos
São Paulo233
Minas Gerais139
Rio de Janeiro104
Bahia103

O crescimento de 300% em dez anos evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes, campanhas de conscientização e ações estruturais para prevenir a violência contra a mulher. Especialistas afirmam que só a mobilização da sociedade e o combate ativo aos estereótipos de gênero poderão frear a escalada de feminicídios no estado.

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