
Alerta grave voltou a preocupar autoridades e moradores em Bom Jesus da Lapa após estudos apontarem risco iminente de desabamento no entorno do Santuário de Bom Jesus da Lapa. Laudo técnico recente classificou situação como extrema e indicou possibilidade de queda de grandes blocos rochosos sobre imóveis próximos à gruta, elevando o nível de tensão na região.
Documento apresentado pela geóloga Joana Paula Sanchez, da Universidade Federal de Goiás, revelou que moradores vivem sob risco permanente. Estudo aponta necessidade de retirada urgente das famílias, principalmente em áreas como a Rua Monsenhor Turíbio, onde há maior probabilidade de deslizamentos.
Histórico reforça gravidade do cenário e mostra que problema não é recente. Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil já haviam identificado áreas com risco muito alto desde 2023. Relatórios anteriores registraram inclusive quedas de rochas de grande porte atingindo residências, o que amplia preocupação com novos incidentes.

Condições naturais agravam instabilidade do terreno e dificultam soluções rápidas. Alternância entre períodos de seca e chuvas intensas favorece surgimento de fissuras no maciço calcário. Processo aumenta risco de desprendimentos súbitos, tornando inviável qualquer intervenção sem retirada prévia dos moradores expostos.
Recomendação do Ministério Público da Bahia determinou que prefeitura promova desocupação das áreas críticas em até 30 dias. Medida inclui oferta de aluguel social e assistência às famílias afetadas. Órgão também sugeriu restrições de acesso a pontos sensíveis frequentados por fiéis dentro do santuário.
Impacto financeiro preocupa gestão municipal e amplia desafio da execução. Prefeito Eures Ribeiro estima custo de cerca de R$ 15 milhões para indenizações. Administração busca apoio de outras esferas de governo e já admite suspensão de projetos turísticos na região afetada.
Importância religiosa do local aumenta repercussão do caso em todo o país. Fundado em 1691, o santuário é um dos maiores destinos de peregrinação do Brasil e recebe milhões de romeiros todos os anos. Reconhecimento cultural reforça valor histórico, mas especialistas alertam que prioridade deve ser preservar vidas diante do risco identificado.