
Palmas de Monte Alto virou palco de uma disputa incomum após uma herdeira acionar a Justiça para recuperar um meteorito de 97 kg encontrado por seu pai nos anos 1950. Caso chamou atenção pelo valor científico e pela ausência de regras claras sobre a propriedade desse tipo de material no Brasil.
Segundo o processo, o objeto foi localizado em 1955 na região de Brejo da Lapa e, posteriormente, entregue a uma escola municipal para estudos. Com o passar dos anos, a guarda foi transferida à prefeitura, que passou a ser responsável pelo meteorito. Situação abriu espaço para questionamentos sobre posse e conservação.
Inconformada, a autora alegou que o material estava abandonado e sem os cuidados necessários. Defesa sustentou que, como não há legislação específica sobre meteoritos no país, o direito de posse deveria ser de quem encontrou o objeto. Com a morte do pai em 2009, ela reivindicou a transferência do bem para os herdeiros.
Por outro lado, a prefeitura contestou a versão e afirmou que o meteorito possui valor científico e cultural relevante. Gestão municipal negou abandono e garantiu que o objeto está preservado adequadamente. Argumento reforçou a importância do material para estudos e interesse público.
Ao analisar o caso, o juiz Igor Siuves Jorge destacou que a legislação brasileira não trata de forma específica a propriedade de meteoritos. Mesmo assim, ele afirmou que a gestão e preservação do objeto devem ficar sob responsabilidade do poder público, dentro de políticas culturais e científicas.
Na decisão, o magistrado concluiu que o fato de o pai da autora ter encontrado o meteorito não garante direito de propriedade. Pedido de busca e apreensão foi negado, mantendo o objeto sob guarda do município. Justiça também apontou que eventuais falhas na conservação devem ser investigadas por outros meios legais.
Estudos indicam que o meteorito é do tipo siderito, composto principalmente por ferro e níquel. Estrutura interna revela formação ao longo de milhões de anos no espaço, o que aumenta seu valor científico. Peça segue como um patrimônio raro, cercado por interesse e agora também por disputa judicial.