
Dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a maioria dos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que apoiaram a cassação evita comentar o tema. O episódio voltou ao debate político, mas segue sendo tratado com cautela nos bastidores, especialmente diante das articulações para as eleições de 2026.
Segundo levantamento da imprensa, lideranças que votaram a favor do impeachment ou participaram do processo preferiram não se manifestar ou evitaram responder. Entre os que se posicionaram, poucos admitiram arrependimento, enquanto outros disseram não mudar a decisão tomada à época.
O tema ainda gera desconforto dentro da base aliada. O PT tem adotado postura pragmática para manter alianças políticas, mesmo com nomes que apoiaram o afastamento da ex-presidente. A estratégia busca fortalecer palanques estaduais e ampliar apoio no cenário eleitoral.
Entre figuras de destaque, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o processo teve base frágil, mas não declarou arrependimento direto. Já a ministra Marina Silva manteve a posição de que apoiou o impeachment por convicção.
Outros nomes próximos ao governo também participaram da votação em 2016 e hoje integram ou dialogam com a base aliada. Parte deles reconhece impactos negativos do processo, enquanto outros defendem que a decisão foi adequada diante do contexto político e econômico da época.
O impeachment segue como um dos episódios mais marcantes da política recente no Brasil. Uma década depois, o tema ainda provoca divisões e é tratado com cautela por lideranças que hoje atuam no mesmo campo político.