
Uma pesquisa do Datafolha revela que dois em cada três brasileiros possuem dívidas financeiras. O levantamento aponta que 67% da população tem algum tipo de débito. Entre eles, 21% afirmam estar com pagamentos em atraso. Os dados indicam um cenário de pressão crescente sobre o orçamento das famílias.
Segundo o estudo, a inadimplência é mais comum entre quem pega dinheiro emprestado de amigos e familiares. Nesse grupo, 41% estão devendo. Dívidas no cartão de crédito parcelado aparecem com 29%. Em seguida, surgem empréstimos bancários e carnês de lojas. O uso frequente de crédito também tem contribuído para o aumento do endividamento.
O levantamento mostra ainda que 27% dos brasileiros utilizam o crédito rotativo do cartão. Essa modalidade é acionada quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura. De acordo com o Banco Central do Brasil, essa é uma das linhas mais caras do mercado. Os juros médios chegam a 14,9% ao mês.
Além das dívidas financeiras, 28% dos entrevistados disseram ter contas de consumo em atraso. Entre elas, aparecem serviços como telefone, internet, energia elétrica e água. Tributos como IPTU e IPVA também estão na lista. O atraso nessas contas reforça o quadro de dificuldade enfrentado por parte da população.
Diante desse cenário, muitos brasileiros têm mudado hábitos. A pesquisa indica que 64% reduziram gastos com lazer. Outros 60% passaram a comer menos fora de casa. Também houve troca por marcas mais baratas e redução no consumo de alimentos. Parte da população ainda relatou cortes em despesas básicas.
O estudo aponta que 45% vivem situação financeira apertada ou severa. Já 36% enfrentam dificuldades moderadas. Apenas 19% dizem ter situação mais equilibrada. A sensação de aperto financeiro tem impactado o bem-estar. Para 49% dos entrevistados, a situação econômica do país é vista de forma negativa.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios brasileiros. O levantamento foi realizado nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Os dados reforçam o aumento do uso de crédito e a dificuldade de manter as contas em dia no país.