
A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, afastada do Tribunal de Justiça da Bahia desde abril de 2024 por suspeita de venda de sentenças, recebeu cerca de R$ 1,3 milhão em salários durante os dois anos fora do cargo. A magistrada é alvo da Operação Faroeste e responde a processo no Superior Tribunal de Justiça por corrupção passiva.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a desembargadora teria recebido vantagens indevidas por meio de depósitos, cheques, pagamentos em dinheiro vivo, um relógio Rolex e despesas em restaurantes. A investigação aponta que o operador do esquema, Adailton Maturino, teria atuado junto à magistrada em processos ligados à grilagem de terras no oeste baiano. A defesa nega irregularidades e afirma confiar na absolvição da desembargadora.
De acordo com os dados citados na investigação, Maria do Socorro recebeu média mensal superior a R$ 54 mil durante o período de afastamento. Apenas em abril deste ano, quando se tornou ré no processo, o contracheque líquido ultrapassou R$ 104 mil. A PGR afirma ainda que a magistrada teria simulado empréstimos familiares para ocultar pagamentos de propina e utilizado recursos de origem ilícita na compra de um imóvel.
Além disso, a Procuradoria sustenta que um relógio Rolex avaliado em R$ 120 mil foi encontrado com a desembargadora durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. A Operação Faroeste, deflagrada pela Polícia Federal em 2019, é considerada uma das maiores investigações sobre corrupção no Judiciário brasileiro. O caso apura um esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados, empresários, advogados e lobistas ligados à disputa de terras na Bahia.