
Conversas interceptadas pela Polícia Federal colocaram o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, no centro de uma investigação que apura supostos repasses relacionados ao esquema do Rioprevidência. Os diálogos foram encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e fazem parte de uma apuração sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, Marcelo Maia aparecia nos contatos de Vorcaro com o codinome “Marcelo Terra Firme”. A referência seria à empresa Terra Firme, ligada ao empresário Augusto Lima, apontado como personagem importante nos investimentos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master. Em uma das conversas registradas em maio de 2024, os dois discutem um pagamento relacionado à empresa Mídias Promotora, citada nas investigações.
De acordo com a Polícia Federal, a Mídias Promotora recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025. Os investigadores afirmam que a empresa era controlada por um operador que atuava como lobista da instituição financeira no Rio de Janeiro. A suspeita é de que a estrutura teria sido utilizada para dar aparência legal a transferências destinadas a pagamentos ilícitos e articulações políticas. As mensagens analisadas indicariam que Marcelo Maia teria participado de tratativas relacionadas ao envio desses recursos.
Além das conversas interceptadas, reportagens apontam que Marcelo Maia possui ligação antiga com negócios vinculados ao grupo financeiro. Ele teria registrado, em 2018, os domínios relacionados ao Credcesta, serviço criado após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). O empresário também figura como sócio em uma consultoria ligada a André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master. Procurados para comentar o caso, Marcelo Maia e Pedro Maia não haviam se manifestado até a publicação das informações.