
O júri marcado para essa quinta-feira (6). A Justiça decidiu levar a júri popular Ermony Ataíde Gomes, acusado de matar Edno Oliveira dos Santos durante uma tentativa de furto a uma churrascaria no centro de Brumado, em abril de 2018. A decisão reconhece indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. O Ministério Público denunciou Ermony por homicídio qualificado, com recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo as investigações, Edno invadiu o local após o fechamento e foi surpreendido por Ermony e um funcionário, que atuavam em uma empresa de videomonitoramento. Empresário portava um revólver calibre 22, sem registro. Laudo aponta que a vítima foi atingida por vários disparos, inclusive pelas costas, enquanto tentava fugir. Ferido, Edno correu até uma rua próxima e morreu na varanda de uma casa após perder muito sangue.
Testemunhas e imagens de câmeras reforçam que os tiros ocorreram quando o homem ainda descia a grade e depois enquanto corria. A perícia confirmou perfurações no tórax, braço e perna, com lesões compatíveis com tentativa de defesa. Durante o interrogatório, Ermony alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que o suspeito portava uma faca de mesa e teria avançado em sua direção.
Disse também que atirou “para intimidar” e não para matar. A Justiça, no entanto, considerou que o empresário não acionou a polícia, mesmo após o confronto, e ocultou as imagens internas da churrascaria. A Procuradoria-Geral da Justiça destacou a omissão como fator relevante para a decisão.
Juiz manteve a qualificadora por entender que os disparos dificultaram qualquer chance de reação da vítima. Caberá ao Tribunal do Júri decidir se o réu agiu em legítima defesa ou com intenção de matar. Ermony responde em liberdade. A Justiça também determinou que o Ministério Público apure possível falso testemunho de uma das testemunhas do caso.