
Mais de 20 anos após protagonizar um dos ataques mais marcantes da história recente do Brasil, o brumadense Mateus da Costa Meira voltou a ganhar repercussão nacional. Aos 51 anos, ele lançou um livro no qual revisita o atentado cometido em um cinema de um shopping de São Paulo, em 1999. Condenado a 120 anos de prisão pelo crime que matou três pessoas e deixou vários feridos, Meira agora se apresenta ao público como autor de literatura voltada ao gênero true crime.
Intitulada “Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira”, a obra aborda a trajetória pessoal do autor, os diagnósticos psiquiátricos recebidos ao longo dos anos e os acontecimentos que antecederam o ataque. O lançamento chamou a atenção por colocar o próprio condenado no papel de narrador dos fatos. A publicação tem provocado reações divergentes entre leitores e pessoas que acompanham o caso desde a época do crime.
Segundo a descrição da obra, um dos aspectos mais incomuns é a escolha narrativa adotada por Meira. Embora seja o personagem central dos acontecimentos, ele relata grande parte da história em terceira pessoa. A estratégia faz com que os episódios sejam apresentados como se estivessem sendo observados por alguém externo à trama. O livro possui cerca de 100 páginas e busca reconstruir episódios que marcaram sua vida antes e depois do atentado.
Natural de Brumado, no sudoeste da Bahia, Mateus da Costa Meira passou mais de duas décadas entre o sistema prisional e hospitais de custódia. Em 2004, ele obteve a desinternação judicial e passou a cumprir medidas de acompanhamento determinadas pela Justiça. Após ser considerado apto para retornar ao convívio social sob monitoramento médico e judicial, voltou a viver em liberdade e agora aposta na carreira literária, reacendendo o debate sobre um dos casos criminais mais conhecidos do país.