Empresas ligadas a baiano podem ampliar investigação sobre Banco Master em vários estados

Documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero podem ampliar as investigações sobre as conexões políticas e empresariais do Banco Master em diferentes estados do país. A decisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e teve como foco principal empresas ligadas ao empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A operação foi deflagrada na quinta-feira (18) e integra um conjunto de apurações sobre negócios relacionados à instituição financeira.

Entre os alvos das buscas estão a Terra Firme da Bahia Ltda e a PKL One Participações. As duas empresas fazem parte do grupo de empreendimentos associados a Augusto Lima. A PKL controla o Credcesta, produto voltado para servidores públicos que reúne benefícios e serviços financeiros, incluindo crédito consignado. Segundo informações do próprio Banco Master, o serviço alcançou 24 estados e 176 municípios até o fim de 2024, ampliando a presença da empresa em diversas regiões do país.

Segundo a investigação, a Terra Firme entrou no radar da Polícia Federal após indícios de ligação com associações de servidores que teriam participado de operações investigadas envolvendo carteiras de crédito consignado. Já a PKL passou a ser analisada após uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa que tem entre os sócios familiares ligados ao senador Jaques Wagner (PT). O material recolhido poderá auxiliar os investigadores a aprofundar a apuração sobre relações empresariais e possíveis conexões políticas associadas ao caso.

Além disso, informações reunidas durante as investigações apontam que empresas vinculadas ao grupo de Augusto Lima receberam valores expressivos do Banco Master nos últimos anos. Levantamento citado pela Folha de S.Paulo indica que a Terra Firme da Bahia recebeu cerca de R$ 186 milhões em transações classificadas como prestação de serviços entre 2022 e 2025. Outra entidade ligada ao grupo, a ONG Terra Firme, recebeu aproximadamente R$ 74 milhões no mesmo período. Os valores e a natureza dessas operações também fazem parte do conjunto de informações analisadas pelas autoridades.

Por meio de nota, os advogados de Augusto Lima afirmaram que o empresário está à disposição das autoridades há cerca de seis meses e classificaram as diligências realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias. A defesa sustenta que todas as atividades desenvolvidas pelo empresário seguiram os parâmetros legais e que os documentos apreendidos devem comprovar a regularidade das operações. As investigações seguem em andamento e novas etapas não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

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