
As investigações da Polícia Federal sobre operações envolvendo o Banco Master e o mercado de crédito consignado colocaram o senador Jaques Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga, no centro das apurações. Os investigadores analisam possíveis favorecimentos políticos e relações comerciais ligadas à expansão de negócios no setor financeiro. O caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo as apurações, a trajetória empresarial de Augusto Lima ganhou impulso após a compra da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018. Na época, Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia. A estatal, criada para ampliar o acesso da população de baixa renda a produtos essenciais, acumulava prejuízos e foi colocada à venda pelo governo. Após tentativas sem interessados, a empresa foi adquirida por R$ 15 milhões, valor inferior ao inicialmente previsto.
Além da aquisição da Ebal, Augusto Lima assumiu ativos considerados estratégicos, entre eles a rede Cesta do Povo e o cartão Credcesta, destinado a servidores públicos estaduais. O passivo da estatal permaneceu sob responsabilidade do governo. Pouco depois da operação, mudanças em normas estaduais ampliaram a utilização do cartão consignado e aumentaram o limite de comprometimento da renda dos servidores com esse tipo de crédito. Com exclusividade na operação por 15 anos, o empresário ampliou sua atuação no segmento.
Posteriormente, Augusto Lima firmou parceria com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A sociedade, iniciada em 2019 e encerrada em 2024, contribuiu para a expansão da instituição financeira no mercado de crédito consignado. Durante esse período, o empresário também exerceu funções executivas no banco, liderando estratégias voltadas à ampliação da presença da instituição em diferentes estados e à expansão das operações de varejo.
Enquanto as investigações avançam, a Polícia Federal busca esclarecer se houve uso de influência política para beneficiar interesses ligados ao banco e ao setor de crédito consignado. A nona fase da Operação Compliance Zero teve Jaques Wagner entre os alvos. Além disso, o Credcesta enfrenta questionamentos judiciais na Bahia. Milhares de ações tramitam no Tribunal de Justiça do Estado com reclamações sobre descontos considerados indevidos em contracheques de servidores públicos.