Enteado de Jaques Wagner ascendeu no governo da Bahia e agora é alvo de apuração da PF

O secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Mendonça Sodré Martins, de 39 anos, entrou no centro das investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), ele é apontado pelos investigadores como um dos personagens ligados a movimentações financeiras sob apuração. A operação investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, o empresário Augusto Lima e negócios relacionados ao mercado de crédito consignado.

Segundo a Polícia Federal, uma empresa vinculada à operação do Credcesta realizou pagamentos que somam R$ 3,5 milhões para uma microempresa registrada em nome de Bonnie Bonilha, esposa de Eduardo Sodré. Os investigadores afirmam que a empresa possui capital social reduzido e estrutura considerada incompatível com os valores movimentados. As transferências teriam sido realizadas pela PLK One Participações, companhia ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Conforme os relatórios da investigação, Eduardo Sodré também aparece em mensagens trocadas com Augusto Lima. Em um dos diálogos citados pela Polícia Federal, o secretário cobra o pagamento de boletos com vencimento próximo. Além disso, planilhas encontradas no celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado como ligado ao empresário, registrariam pagamentos de R$ 2,3 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, segundo os investigadores, faria referência ao enteado de Jaques Wagner.

Formado em Direito pela Universidade Católica do Salvador, Eduardo Sodré construiu carreira no setor privado e não possui filiação ao PT. Professor universitário e ex-integrante da Comissão de Meio Ambiente da OAB, ele assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente em 2023, durante o governo Jerônimo Rodrigues. Apesar da proximidade com lideranças petistas, sua trajetória política é considerada distante das bases partidárias. O secretário afirma em entrevistas que possui perfil técnico e não pretende disputar cargos eletivos.

Paralelamente às apurações, a investigação também cita a atuação empresarial de Guilherme Henrique Sodré Martins, pai de Eduardo e amigo de longa data de Jaques Wagner. Segundo a Polícia Federal, ele teria atuado como elo entre empresários ligados ao Banco Master, o entorno pessoal do senador e integrantes de seu gabinete. Guilherme também foi alvo de investigações em operações anteriores e mantém relações empresariais com o filho em companhias dos setores administrativo e patrimonial.

Enquanto as investigações avançam, o governo da Bahia mantém silêncio sobre a permanência do secretário no cargo. Após a operação, o governador Jerônimo Rodrigues manifestou apoio ao senador Jaques Wagner, mas não comentou a situação de Eduardo Sodré. Procurado por meio da assessoria, o secretário não se pronunciou sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. As apurações seguem em andamento e, até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os fatos investigados.

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