
A Polícia Federal afirma que mensagens encontradas durante a investigação sobre o Banco Master indicam um suposto alinhamento do senador Jaques Wagner (PT-BA) com interesses da instituição financeira. Um dos diálogos citados pelos investigadores mostra o parlamentar dizendo que precisava saber “como estão as coisas do banco” ao marcar um encontro com o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição.
Segundo relatório da PF, a conversa ocorreu em agosto de 2024, período em que tramitavam propostas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Os investigadores apontam que os contatos entre Wagner e dirigentes ligados ao banco reforçam a suspeita de acompanhamento de pautas legislativas consideradas estratégicas para a instituição financeira.
Durante a apuração, a Polícia Federal também analisou mensagens relacionadas a encontros presenciais entre o senador e Augusto Lima em Brasília. De acordo com o relatório, após uma reunião realizada no gabinete de Wagner, o empresário teria encaminhado informações sobre uma proposta envolvendo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tema que estava entre os interesses do banco.
Além das conversas, a investigação apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas. A PF investiga se o senador teria sido beneficiado por meio da aquisição de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e por repasses financeiros destinados a uma empresa ligada ao seu enteado. Wagner nega qualquer irregularidade.
Em nota, a defesa do senador afirmou que nunca houve atuação, intermediação ou negociação envolvendo projetos do Banco Master. Os advogados sustentam que os diálogos citados pela investigação tratam de conversas pessoais e destacam que o parlamentar jamais atuou em favor da instituição financeira ou de qualquer outro banco.
Já a defesa do empresário Augusto Lima declarou que ele sempre atuou dentro da legalidade e que as medidas adotadas pela Polícia Federal ajudarão a demonstrar a licitude dos fatos investigados. O caso segue sob apuração das autoridades competentes.