
Uma proposta para descentralizar a distribuição do fundo eleitoral abriu uma divergência entre a direção nacional do PT e a bancada de deputados federais da legenda. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, defendeu que os diretórios estaduais passem a decidir como será repartida a verba destinada às campanhas para a Câmara dos Deputados. A sugestão encontrou resistência de parlamentares, que temem perder espaço na divisão dos recursos.
Segundo integrantes da bancada, a proposta foi apresentada durante uma reunião realizada há cerca de três semanas. Deputados afirmam que dirigentes estaduais podem priorizar aliados políticos e favorecer candidatos ligados às correntes majoritárias do partido. O encontro terminou sem consenso, e o tema segue em discussão no Grupo Tático Eleitoral (GTE), responsável por elaborar as regras para a distribuição dos recursos nas eleições deste ano.
Enquanto o impasse permanece, o PT terá à disposição R$ 615,4 milhões do fundo eleitoral, parte dos R$ 4,9 bilhões destinados aos partidos políticos. Pelo modelo defendido por Edinho Silva, a direção nacional manteria a decisão sobre os recursos das campanhas para presidente da República, governadores e Senado, enquanto os diretórios estaduais ficariam responsáveis pela divisão da verba destinada aos candidatos a deputado federal. O partido também definirá critérios específicos para candidaturas femininas e de pessoas pretas e pardas.