Estudo aponta que aprovação de Lula é a mais sensível à inflação e ao desemprego em 30 anos

Um estudo da consultoria MB Associados aponta que a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no terceiro mandato, é a mais sensível às variações da inflação e do desemprego entre os presidentes brasileiros dos últimos 30 anos. O levantamento também indica que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi o menos afetado por mudanças nesses indicadores econômicos durante o período em que governou. A análise foi divulgada neste domingo (5).

Segundo o economista Sergio Vale, responsável pelo estudo, os dados cruzam o chamado índice da miséria, formado pela soma da inflação oficial (IPCA) e da taxa de desemprego, com pesquisas mensais de aprovação presidencial compiladas pelo agregador do site Jota. O levantamento analisou cinco presidentes e nove mandatos desde 1996. De acordo com os cálculos, cada variação de um ponto percentual no índice provoca uma oscilação de 5,8 pontos na aprovação de Lula, contra 1,4 ponto no caso de Bolsonaro.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o resultado está ligado ao perfil do eleitorado de cada presidente. Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, parte dos eleitores associa Lula diretamente à melhora das condições econômicas, como emprego, renda e poder de compra. Já Sergio Vale avalia que a base de apoio de Bolsonaro é mais ideológica, tornando a aprovação do ex-presidente menos dependente das oscilações econômicas.

Ainda conforme o estudo, Fernando Henrique Cardoso aparece como o segundo presidente menos sensível ao índice da miséria, com variação de 2,2 pontos na aprovação. Michel Temer registra 3,7 pontos, enquanto Dilma Rousseff alcança 4,3 pontos. Nos dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, essa sensibilidade era menor do que a atual, com oscilações de 3,7 pontos, segundo o levantamento.

Embora o índice da miséria esteja no menor nível das últimas três décadas, os pesquisadores alertam para a possibilidade de alta da inflação nos próximos meses. O estudo aponta que uma eventual elevação dos preços pode afetar a popularidade do presidente ao longo do período eleitoral. Em um cenário de estabilidade econômica, a projeção é que Lula chegue à eleição com aprovação entre 44% e 47%. Caso ocorram novos choques inflacionários, esse índice poderá ficar entre 38% e 42%.

Por fim, os especialistas ressaltam que inflação e desemprego não são os únicos fatores que influenciam a aprovação de um governo. Comunicação, confiança, segurança pública, crédito, endividamento, percepção sobre o futuro e o ambiente político também interferem na avaliação dos eleitores e no desempenho dos candidatos durante uma campanha eleitoral.

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