
Brasília viveu mais um capítulo da articulação política do governo federal após a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), tentar amenizar o desgaste na relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A iniciativa incluiu a contenção de críticas feitas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e por integrantes do PT, mas provocou insatisfação entre aliados do ministro dentro do Palácio do Planalto.
Segundo interlocutores de Boulos, a estratégia adotada pela articulação política não deveria priorizar a redução das críticas ao presidente do Senado. Para esse grupo, o esforço do governo deve se concentrar em convencer Alcolumbre a pautar a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação é que a pressão política deve ser direcionada à votação da matéria, considerada prioridade para o Executivo.
Atualmente, a proposta de redução da jornada de trabalho figura entre as principais bandeiras do governo Luiz Inácio Lula da Silva para o período que antecede as eleições. Apesar das negociações conduzidas pelo Palácio do Planalto, a base governista ainda não conseguiu garantir o apoio necessário para que o projeto seja levado ao plenário do Senado.
Enquanto o governo trabalha para aprovar a proposta ainda em agosto, aliados de Davi Alcolumbre avaliam que a votação deverá ocorrer apenas após o período eleitoral. O impasse evidencia as dificuldades da articulação política do Executivo para avançar com projetos considerados estratégicos na pauta legislativa e manter alinhamento entre diferentes setores da base governista.