
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstraram preocupação com possíveis tentativas de interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026. A avaliação ganhou força após manifestações públicas dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O principal receio do Planalto envolve o impacto de ações nas redes sociais nos dias que antecedem a votação de 4 de outubro.
Aliados de Lula afirmam que a preocupação se concentra especialmente no uso de plataformas digitais e de ferramentas de inteligência artificial durante a campanha. Nos bastidores, integrantes do governo esperam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adote medidas preventivas para reduzir a disseminação de conteúdos manipulados. Ainda assim, interlocutores avaliam que uma eventual atuação coordenada a partir do exterior seria difícil de impedir completamente.
Enquanto o cenário político se intensifica, Lula tem relatado a aliados que considera esta disputa diferente das anteriores devido ao risco de influência internacional. A tensão aumentou após Javier Milei participar da convenção nacional do PL, no último sábado (25), quando declarou apoio a Flávio Bolsonaro e fez críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Na segunda-feira (27), Lula respondeu de forma irônica ao ser questionado sobre o presidente argentino, enquanto Milei voltou a publicar críticas ao petista nas redes sociais.
Além das declarações, o governo brasileiro passou a acompanhar de perto a movimentação internacional envolvendo a campanha presidencial. A China manifestou apoio à soberania do Brasil após conversa entre Lula e o presidente Xi Jinping. Ao mesmo tempo, o Itamaraty negou vistos a representantes do governo norte-americano que, segundo o jornal The Washington Post, planejavam vir ao país para questionar a credibilidade do processo eleitoral. O Planalto também monitora a relação entre integrantes da família Bolsonaro e autoridades dos Estados Unidos durante o período pré-eleitoral.