
O senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição em 2026, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 24,5 milhões. O valor representa aumento de aproximadamente 631% em comparação com os bens informados pelo parlamentar em 2018, quando a declaração registrava R$ 3,35 milhões.
A diferença entre os dois registros patrimoniais chega a R$ 21,16 milhões em um intervalo de oito anos. Entre os principais itens declarados está um crédito de R$ 13,8 milhões referente à venda de um terreno localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
O negócio envolve o Esporte Clube Bahia e a empresa Lagoons Empreendimentos. A negociação do imóvel, porém, foi suspensa por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A declaração patrimonial apresentada pelo senador também inclui aplicações financeiras, um apartamento em Salvador, participação em um sítio no município de Andaraí e uma coleção de veículos. Em junho, durante uma fase da operação, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie, moedas estrangeiras e relógios em endereços ligados ao parlamentar.
Segundo informações divulgadas na investigação, foram encontrados US$ 66 mil, 39,6 mil euros e R$ 16,5 mil. A defesa de Jaques Wagner afirmou que a negociação do terreno começou em 2024 e foi formalizada em 2025, antes da operação policial.
Os advogados do senador declararam que o acordo previa permuta do imóvel e pagamento antecipado de R$ 2 milhões. A defesa também informou que os valores foram declarados à Receita Federal e que os impostos relacionados ao negócio foram pagos. A investigação segue em andamento e ainda não há conclusão sobre eventual responsabilidade do parlamentar.