
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um depoimento que relata uma suposta tentativa de criar uma falsa acusação de estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O documento atribui a iniciativa, segundo o depoente, a pessoas ligadas ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que nega as acusações.
O depoimento foi prestado virtualmente à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados em 23 de abril, depois que Gaspar acionou a corporação. O material chegou ao STF em 5 de maio. O comerciante identificado como Luis Antonio Lopes, de 62 anos, afirmou ter tomado conhecimento de um suposto plano para produzir a denúncia contra o parlamentar.
Segundo o relato, uma mulher chamada Marcela Maria Mendes, que trabalhava em um quiosque administrado pelo comerciante, teria sido recrutada para conceder entrevistas usando o nome fictício de “Jailma”. A personagem seria apresentada como uma mulher que teria sofrido violência sexual ainda adolescente e dado à luz uma suposta filha chamada “Eloá”.
Ainda conforme o depoimento, um homem identificado como Lucas, conhecido como “Doidinho”, teria participado da articulação e se apresentado inicialmente como assessor legislativo. O comerciante afirmou que posteriormente ele teria se apresentado como alguém ligado ao contexto político de Lindbergh Farias.
O relato também aponta que o suposto plano envolveria a divulgação da acusação de abuso sexual e, posteriormente, o desaparecimento da mulher apresentada como vítima. O comerciante afirmou ainda que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual com Marcela e outras pessoas e aparentava conhecer o conteúdo discutido.
O depoente declarou ter emprestado sua conta bancária para receber pagamentos destinados a Marcela. Ele mencionou três transferências, de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil, e entregou à Polícia Legislativa comprovantes de duas delas.
Lindbergh Farias negou as acusações e classificou o relato como uma “picaretagem”. O deputado afirmou desconhecer os envolvidos e negou ter participado de reuniões para tratar da suposta trama. O caso está sob análise das autoridades, que deverão apurar a procedência das acusações e dos elementos apresentados no depoimento.