
A Polícia Federal identificou diálogos que apontam que a empresária Roberta Luchsinger comprou joias de diamantes para presentear Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As conversas fazem parte de investigações relacionadas a supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo os registros, as peças teriam custado cerca de R$ 9 mil.
Segundo as mensagens obtidas pelos investigadores, Marcola teria participado da escolha das joias por meio de imagens enviadas à empresária. A compra teria ocorrido para o Dia das Mães de 2024. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que também é investigado pela Polícia Federal em inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da compra das joias, os investigadores encontraram conversas entre Roberta e Lulinha relacionadas à cobrança de valores de um empresário. Segundo o material, o filho do presidente orientou a empresária a emitir uma nota fiscal para cobrar Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT. O relatório da PF cita ainda suspeita de que Ribas tenha custeado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de supostos favores no governo.
As mensagens também levaram os investigadores a apontar uma relação entre Lulinha e Roberta que, segundo a apuração, poderia ultrapassar a amizade. Os diálogos indicariam participação em negócios e reuniões que envolveram Marcola e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. Berger não se manifestou, enquanto Marcola e Roberta não responderam aos contatos da reportagem.
Paralelamente, a defesa de Lulinha passou a questionar a autenticidade das mensagens divulgadas e a chamada cadeia de custódia das provas. O advogado Marco Aurélio de Carvalho também criticou a divulgação de trechos de um material com mais de 300 páginas que, segundo a defesa, ainda não foi disponibilizado integralmente aos advogados. Ele afirmou que pretende cobrar providências das autoridades responsáveis pelas investigações.
Atualmente, Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF que apuram suspeitas de tráfico de influência. As investigações envolvem possíveis atuações junto à Dataprev, ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência. Os processos tramitam sob sigilo. Em julho, Lula afirmou que o filho não teria privilégios e deveria responder pelos fatos caso fosse considerado responsável por alguma irregularidade.
Em dezembro, Roberta Luchsinger foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. No dia 3 deste mês, Marcola afirmou ter recebido pagamentos da empresária relacionados a um empréstimo e negou qualquer relação ilegal durante sua atuação no governo. Ele deixou o cargo em julho para participar da coordenação da campanha de reeleição de Lula.