Lulinha e filme de Bolsonaro ampliam racha entre Dino e Mendonça no STF

As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, aumentaram as divergências entre Flávio Dino e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois ministros relatam processos relacionados aos casos, que também ganharam peso no cenário eleitoral de 2026.

Atualmente, Dino conduz um inquérito sobre supostas emendas parlamentares destinadas ao filme, enquanto Mendonça relator de uma investigação sobre repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção. O ministro também é responsável por dois processos que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha.

Na sexta-feira (21), Dino autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa. O material poderá ampliar a apuração sobre recursos destinados ao filme. A PF ainda não havia solicitado procedimento semelhante ao gabinete de Mendonça no inquérito sob sua responsabilidade.

Paralelamente, os dois ministros enfrentam uma questão sobre o destino das investigações envolvendo Lulinha. A Procuradoria-Geral da República pediu a Mendonça que os processos sejam enviados à primeira instância. O ministro, segundo pessoas próximas, sinalizou que pretende manter os casos no STF por considerar possível o envolvimento de pessoas com foro especial.

Inicialmente, Dino avaliava que os processos poderiam seguir para a primeira instância, por não identificar autoridades com prerrogativa de foro nas apurações. A possibilidade de Mendonça manter os inquéritos no Supremo, porém, pode levá-lo a adotar o mesmo entendimento para evitar decisões diferentes em investigações semelhantes.

No cenário eleitoral, as decisões dos ministros ganharam relevância porque os casos envolvem aliados dos dois principais polos políticos em disputa. Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, enquanto Dino chegou à Corte por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Historicamente, os dois ministros acumulam divergências em julgamentos relevantes do Supremo. Durante as ações penais relacionadas aos ataques de 8 de Janeiro, Mendonça defendeu absolvições ou penas menores para alguns acusados, enquanto Dino adotou posição mais favorável à manutenção das condenações.

Recentemente, outro episódio evidenciou o contraste entre os magistrados. Ao determinar a apuração de vazamentos relacionados ao inquérito contra Lulinha, Mendonça ressaltou a garantia constitucional do sigilo da fonte. A manifestação foi interpretada por integrantes da Corte como uma possível resposta a posições defendidas anteriormente por Dino e Alexandre de Moraes.

Apesar das divergências jurídicas, interlocutores dos dois ministros classificam a relação pessoal entre eles como cordial. Os atritos, porém, já apareceram em plenário e também em julgamentos sobre liberdade de expressão, demarcação de terras indígenas e responsabilidade das plataformas digitais.

O senador Flávio Bolsonaro nega irregularidades no financiamento do filme e afirma que o episódio já foi superado em sua campanha. A defesa de Lulinha classifica as suspeitas de tráfico de influência como baseadas em ilações. Lula, por sua vez, declarou que o filho não está acima da lei e que a Polícia Federal tem liberdade para investigá-lo.

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