
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ter sofrido tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas durante a prisão. Segundo ele, as ações tinham o objetivo de impedir que relatasse informações sobre integrantes da Polícia Federal em uma eventual delação premiada. O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar do gabinete e registrado em vídeo.
Vorcaro está preso desde março e tenta negociar um acordo de colaboração premiada. Na avaliação apresentada durante o depoimento, a resistência da Polícia Federal à negociação estaria relacionada às informações que ele pretende apresentar. O ex-banqueiro também teria citado o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao relatar os episódios ocorridos durante o período de detenção.
Procurados, o advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, e Andrei Rodrigues não responderam aos questionamentos sobre as acusações. Interlocutores do diretor-geral da PF afirmaram, porém, que ele nunca manteve relação com o ex-banqueiro. Segundo esse relato, os dois teriam se encontrado apenas uma vez, de maneira casual, durante um seminário jurídico realizado em Londres e organizado pelo grupo Voto.
Ainda conforme essas pessoas, o Banco Master patrocinou o evento, embora essa informação não fosse divulgada. Integrantes da PF também sustentam que Vorcaro poderia ter procurado diretamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) para negociar uma colaboração, sem a necessidade de participação da Polícia Federal. O depoimento prestado no gabinete de Mendonça passou a ser interpretado por integrantes da corporação como uma tentativa de viabilizar a delação sem a presença da PF.
Mendonça confirmou nesta quarta-feira (2) que Vorcaro prestou recentemente depoimento no âmbito da investigação sobre o Banco Master. Segundo o ministro, o ato contou com a presença do Ministério Público, mas não teve participação da Polícia Federal. Em nota divulgada pela assessoria, Mendonça afirmou que a oitiva ocorreu a pedido da defesa, após o ex-banqueiro relatar que sofria graves intimidações e solicitar que fosse ouvido com urgência.
A defesa de Vorcaro também afirmou que havia necessidade de uma oitiva imediata diante das circunstâncias relatadas pelo cliente. O ministro classificou o procedimento como um ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar de seu gabinete. Segundo Mendonça, não foram tratados no depoimento assuntos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.
O caso ocorre em meio à crise provocada pela divulgação de informações sobre contatos entre Moraes e Vorcaro. O ministro passou a ser alvo de questionamentos após a revelação de que mantinha comunicação com o ex-banqueiro e tratava de assuntos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master. Mendonça é o relator do inquérito sobre o caso no Supremo.