Servidores da PGR relatam tensão e ironizam Gonet em grupos de WhatsApp

Servidores da Procuradoria-Geral da República (PGR) relataram um clima de tensão dentro do órgão após a divulgação de conversas envolvendo o procurador-geral Paulo Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os funcionários afirmaram que o assunto dominou as conversas na quarta-feira (2), em Brasília. Parte dos servidores também teria demonstrado receio de possíveis represálias por eventuais vazamentos relacionados ao chefe da instituição.

Durante o expediente, funcionários teriam discutido em pequenos grupos os possíveis desdobramentos das revelações e a relação entre Gonet e Vorcaro. Um servidor ouvido sob condição de anonimato afirmou que “só se fala nisso” dentro da PGR. Segundo o relato, alguns trabalhadores estariam preocupados com uma eventual perseguição após a exposição das informações.

Entre as conversas divulgadas estão mensagens relacionadas à participação de Gonet em eventos promovidos por Vorcaro em Londres. O banqueiro teria utilizado o advogado Ciro Soares como intermediário para fazer contatos com o procurador-geral. Entre os eventos mencionados estão uma degustação de charutos e uma atividade relacionada ao uísque Macallan, da qual Gonet teria aceitado participar.

Nos grupos de WhatsApp formados por servidores, as mensagens sobre o episódio teriam provocado reações em tom de ironia. Segundo funcionários ouvidos, alguns comentários faziam referências jocosas às conversas sobre charutos e uísque. O conteúdo compartilhado nos grupos também teria alimentado críticas internas à atuação do procurador-geral.

Paralelamente, servidores relataram um ambiente de “revanchismo” nas conversas virtuais. Segundo os relatos, parte do descontentamento estaria relacionada à percepção de desprestígio por parte de Gonet. Um dos principais motivos citados seria a demora na equiparação salarial entre servidores da PGR e funcionários do Judiciário, medida que ocorreu em outubro de 2025.

Por fim, alguns integrantes dos grupos teriam tratado, de forma jocosa, a exposição da relação entre Gonet e Vorcaro como uma espécie de “penalização” pelo que consideram falta de valorização dos servidores. Os relatos sobre o ambiente interno foram atribuídos a funcionários da PGR ouvidos sob anonimato. A instituição não apresentou, no conteúdo divulgado, uma manifestação específica sobre as conversas dos servidores.

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