
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou a pressão sobre o Senado e fez parlamentares que antes rejeitavam a possibilidade passarem a considerar viável o impeachment de ministros da Corte.
Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avaliam que ele deve aguardar o resultado das eleições de 2026 antes de decidir se dará andamento a algum pedido de afastamento. A estratégia considera o perfil dos 54 novos senadores e a definição do próximo presidente da República.
Segundo interlocutores, Alcolumbre mantém a posição contrária ao impeachment de Alexandre de Moraes, com quem possui relação de proximidade. O cenário, porém, pode mudar conforme a composição do Senado eleita nas urnas e a força dos parlamentares ligados ao bolsonarismo.
Outro ponto de tensão envolve o ministro André Mendonça, desafeto político de Alcolumbre. O senador teria discutido com aliados a possibilidade de analisar um pedido contra o magistrado, diante de questionamentos sobre a condução de uma investigação envolvendo Moraes.
Além de Moraes e Mendonça, parlamentares passaram a admitir a possibilidade de afastamento de outros ministros. Um líder partidário avalia que a atual crise pode provocar mudanças mais amplas no Judiciário a partir de 2027, incluindo uma eventual reforma no modelo de funcionamento do STF.
Entre as propostas mencionadas estão a criação de mandatos com prazo determinado para ministros, em substituição à aposentadoria compulsória aos 75 anos, além da elevação da idade mínima exigida para indicações à Corte, atualmente fixada em 35 anos.
A pressão aumentou após Mendonça tornar públicos detalhes relacionados à investigação envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio também fortaleceu discursos de candidatos ao Senado que defendem medidas contra integrantes do Supremo.
Em meio à crise, Moraes se reuniu pessoalmente com Alcolumbre em 2 de setembro, um dia após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro. Questionado sobre a abertura de impeachment, o presidente do Senado afirmou que existem 109 pedidos contra ministros do STF e indicou que a pressão da oposição ocorre há bastante tempo.