
O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) denunciou dois proprietários de uma padaria em Tanhaçu pela explosão que provocou o desabamento do imóvel e matou quatro pessoas em janeiro de 2023. A denúncia foi apresentada na terça-feira (8) e atribui aos acusados crimes de homicídio e dano qualificados. O órgão também pediu que o caso seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo a denúncia, os proprietários teriam assumido o risco de provocar mortes ao manter o estabelecimento funcionando sem licença sanitária, alvará de funcionamento e vistoria do Corpo de Bombeiros ou de órgão municipal competente. A explosão ocorreu em 26 de janeiro de 2023, após um vazamento de gás liquefeito de petróleo (GLP), que provocou o desabamento total da edificação.
Entre as vítimas estavam Edivanda Costa da Silva, Letícia da Silva Santana e Adriano Lima Santana, que moravam no imóvel. Também morreu Bruno Santos Freire, funcionário da padaria. Laudos técnicos apontaram que as quatro mortes ocorreram em consequência dos traumatismos provocados pelo desabamento da estrutura.
Conforme a acusação apresentada pela promotora de Justiça Daniela de Almeida, os responsáveis pelo estabelecimento teriam recebido alertas anteriores sobre problemas relacionados ao gás. Cerca de 40 dias antes da explosão, um vizinho teria comunicado a existência de forte cheiro de gás no local.
Na véspera da tragédia, os botijões de gás também foram trocados e os responsáveis teriam sido comunicados sobre a situação. A perícia realizada posteriormente identificou problemas no sistema, incluindo desgaste, oxidação e prazo de validade vencido do regulador de pressão de um dos botijões.
Agora, o pedido do MPBA para que os dois denunciados sejam submetidos ao Tribunal do Júri será analisado pela Justiça. Caberá ao Judiciário decidir se existem elementos suficientes para determinar a realização do julgamento popular pelo caso ocorrido em Tanhaçu.