
O cultivo de cacau a pleno sol com irrigação começa a ganhar espaço em novas fronteiras agrícolas do Brasil e apresenta potencial de produtividade muito superior ao sistema tradicional. Em áreas do Nordeste e do Cerrado, produtores trabalham com metas de 3 mil a 4,5 mil quilos de amêndoas por hectare, enquanto modelos convencionais registram rendimentos menores.
Diferentemente do sistema de cabruca, predominante no sul da Bahia e caracterizado pelo cultivo do cacau sob a Mata Atlântica, o modelo irrigado utiliza genética selecionada, fornecimento controlado de água e técnicas de manejo adaptadas às condições de cada região produtora.
No Ceará, uma propriedade localizada em Acaraú mantém aproximadamente 15 mil pés de cacau distribuídos em 13 hectares. A expectativa é atingir 1,5 mil quilos de amêndoas por hectare neste ano e dobrar esse resultado em 2027, chegando a uma produção estimada de 3 mil quilos por hectare.
O Oeste da Bahia também apresenta resultados expressivos com o sistema irrigado. Dados citados pela Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) apontam propriedades que alcançam entre 3 mil e 3,5 mil quilos por hectare, além de empreendimentos com centenas de hectares destinados ao cultivo irrigado em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.
Pesquisadores apontam que a irrigação tem papel importante em regiões de menor disponibilidade hídrica, mas o sistema exige outros cuidados. A proteção das plantas contra ventos e excesso de radiação, assim como a escolha das variedades, influencia diretamente o desenvolvimento e a produtividade.
No Piauí, projetos buscam ampliar o cultivo irrigado entre pequenos produtores, inclusive com a integração do cacau a outras culturas tradicionais. A expansão indica que a produção, historicamente concentrada em regiões úmidas do sul da Bahia, avança para diferentes ambientes agrícolas brasileiros.