
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao caso Banco Master entrou no debate eleitoral de 2026 e passou a ser associada por especialistas ao aumento da desconfiança nas instituições. O episódio envolve ministros da Corte, investigações sobre o banco e acusações públicas entre integrantes do tribunal, em meio à disputa presidencial.
Segundo levantamento da Quaest citado na reportagem, 37% dos entrevistados afirmam estar muito interessados na eleição. Sobre os efeitos do caso Master, 46% consideram que todos os envolvidos foram afetados, enquanto 15% apontam o STF e outros 15% mencionam o governo anterior e a família Bolsonaro.
A pesquisa também registrou baixa confiança na Suprema Corte. Apenas 9% dos entrevistados disseram confiar muito no STF, enquanto 30% afirmaram confiar pouco e 56% declararam não confiar na instituição. Os números retratam a percepção dos entrevistados no período em que a crise ganhou maior repercussão política.
Entre os eleitores ouvidos, 7% afirmaram que poderiam mudar o voto por causa do episódio, enquanto 67% disseram que a crise não altera sua decisão. Outros 22% declararam que o caso reforça uma escolha eleitoral já definida, segundo os dados apresentados na reportagem.
Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo avaliam que o desgaste envolvendo o STF pode ampliar o espaço para discursos de enfrentamento às instituições durante a campanha. O diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, afirmou que o cenário pode favorecer candidaturas apresentadas como alternativas ao sistema.
Na terça-feira (15), o STF realizou uma sessão extraordinária para analisar questões relacionadas aos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto do Banco Master. A votação sobre a reunião dos processos terminou provisoriamente em 4 a 3, antes de Flávio Dino pedir vista.
O julgamento ocorreu em meio a acusações entre ministros sobre a condução das investigações. Gilmar Mendes afirmou que havia viés político-eleitoral na condução do caso, enquanto Mendonça contestou a acusação. A sessão expôs divergências internas na Corte e deixou o desfecho das questões ainda em aberto.