
O senador Otto Alencar (PSD-BA) viajou ao menos três vezes, em 2025, em jatinhos da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro entre os sócios. Os voos ocorreram em 13 de março, 9 de abril e 12 de junho. Segundo o senador, as viagens foram custeadas pelo advogado Ciro Soares, que aparece nas investigações da Polícia Federal como interlocutor de Vorcaro com autoridades.
Conforme as informações divulgadas sobre o caso, Otto afirmou que desconhecia a propriedade das aeronaves utilizadas nos deslocamentos. Ciro confirmou que convidou o senador para as viagens porque os dois tinham os mesmos destinos. O advogado possui relação profissional antiga com o parlamentar e já atuou em processos ligados ao PSD da Bahia.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e analisadas pela PF também registraram referências ao senador. Nas conversas, o ex-banqueiro utilizava os termos “conselheiro” e “comandante” para mencionar Otto, enquanto Ciro aparecia como intermediário. O material indica que o advogado avisava quando estava com o parlamentar, enviava fotografias e transmitia recados atribuídos a ele.
Segundo relatos divulgados sobre a investigação, Ciro também mencionou a possibilidade de levar Otto a um encontro entre Vorcaro e o ministro do STF André Mendonça, realizado em março de 2025. Não foi divulgada evidência de que o senador tenha participado da reunião. O advogado e Otto também atuaram em articulações para homenagens a Dias Toffoli e Paulo Gonet na Assembleia Legislativa da Bahia.
Recentemente, Otto passou a admitir que conversou duas ou três vezes por telefone com Vorcaro, por meio do celular de Ciro Soares. De acordo com o senador, o ex-banqueiro buscava apoio para uma proposta relacionada ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Otto afirmou que não apoiou a medida e rejeitou a caracterização de proximidade feita por Vorcaro.
Por fim, as viagens nos jatinhos e as mensagens mencionadas nas investigações não estabelecem, por si mesmas, participação de Otto Alencar em irregularidades relacionadas ao Banco Master. O senador afirma que os voos foram pagos por Ciro Soares e que não sabia da relação societária anterior de Vorcaro com a empresa responsável pelas aeronaves.