
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja Lula da Silva abordaram nesta segunda-feira (28), no Pará, a controvérsia eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Lula afirmou que ninguém irá desrespeitar a santa enquanto estiver na Presidência e criticou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão.
Antes do discurso do presidente, Janja afirmou que a oposição queria retirar o título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida. Não há, porém, registro de declaração de Flávio Bolsonaro (PL) ou de sua assessoria defendendo a retirada do título. A alegação surgiu após declarações do candidato sobre o Brasil e Jesus Cristo.
A controvérsia chegou ao Judiciário. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a informação sobre uma suposta intenção de Flávio de retirar o título da santa. A decisão classificou o conteúdo como inverídico.
No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão de Mendonça e determinou o restabelecimento de publicações relacionadas ao caso. Segundo Dino, não havia grau suficiente de certeza sobre a ilegalidade do conteúdo que justificasse restrições tão amplas à liberdade de expressão e religiosa.
A origem da controvérsia envolve um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli (MT), que propunha alterar a legislação relacionada ao título de Nossa Senhora Aparecida. A proposta foi arquivada em 2008 e não teve participação de Flávio Bolsonaro, segundo verificações publicadas sobre o caso.
Durante a agenda no Pará, Lula também citou a relação entre o pastor André Valadão, a Igreja Batista da Lagoinha e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro e familiares frequentavam a igreja, enquanto Fabiano Zettel, cunhado do empresário e pastor de uma unidade da Lagoinha, aparece nas investigações da Polícia Federal sobre o banco.
Documentos mencionados na reportagem também apontam transferências de recursos envolvendo uma unidade da Lagoinha e operações relacionadas a empresas ligadas a André e Cassiane Valadão. A igreja afirma que suas unidades possuem autonomia administrativa e financeira e declarou não ter conhecimento das transações investigadas. A empresa citada também negou ter recebido valores em espécie do Banco Master nos montantes mencionados.