
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) renovou por dez anos a licença ambiental que autoriza a operação da Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, no sudoeste da Bahia. A autorização permite a continuidade das atividades da unidade administrada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
A terceira renovação da Licença de Operação nº 274/2002 foi concedida pelo Ibama em 10 de setembro de 2026. O documento autoriza a lavra da Mina do Engenho e o beneficiamento do minério para produção de concentrado de urânio, conhecido como yellowcake.
Atualmente, a unidade de Caetité é a única mineração de urânio em atividade no Brasil e realiza as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a extração e o beneficiamento do minério. A licença estabelece a continuidade de programas de monitoramento e gestão ambiental, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e comunicação social.
Cinco dias após a renovação, entre 15 e 17 de setembro, equipes técnicas do Ibama realizaram uma vistoria de três dias na unidade. Os técnicos percorreram a usina, a Mina do Engenho, estradas internas e áreas em recuperação, além das proximidades da Barragem de Águas Claras e pontos de monitoramento ambiental.
Durante a fiscalização, foram verificados sistemas de controle ambiental e o cumprimento das condições previstas no licenciamento. Segundo o Ibama, a inspeção já estava prevista no cronograma de acompanhamento da unidade e não foi motivada pela renovação da licença. Os técnicos também acompanharam ações de educação ambiental e comunicação social.
Além da autorização ambiental, a operação da unidade depende do cumprimento das normas de segurança nuclear. Em 16 de abril de 2026, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) renovou a Autorização para Operação Permanente da instalação de Caetité, juntamente com a de uma unidade da INB em Resende (RJ).
O concentrado de urânio produzido em Caetité é transportado até o Porto de Salvador e, posteriormente, enviado para a Europa. No exterior, o material passa pela etapa de conversão em hexafluoreto de urânio (UF₆), necessária para o processo posterior de enriquecimento do urânio.