Lula busca reduzir abstenção enquanto Flávio Bolsonaro mira voto útil na reta final

Na reta final antes do primeiro turno das eleições, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços em estratégias diferentes para ampliar a votação no domingo (4). A equipe do presidente busca estimular principalmente eleitores idosos a comparecerem às urnas, enquanto aliados do senador apostam na transferência de votos de outros candidatos da direita.

Uma das preocupações da campanha petista é a participação de eleitores com 70 anos ou mais, faixa em que o voto não é obrigatório. Segundo dados da pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28), Lula aparece com 40% das intenções de voto entre pessoas com 60 anos ou mais, contra 32% de Flávio. No eleitorado geral, os índices são de 39% e 34%, respectivamente.

Em 2022, a abstenção nacional foi de 20,3%, mas chegou a 39% entre eleitores de 70 a 74 anos e aumentou nas faixas etárias seguintes. Para mobilizar esse público, Lula tem feito apelos durante os discursos e citado a importância da participação eleitoral. A campanha também considera que o voto pode ser utilizado como prova de vida perante o INSS por beneficiários com mais de 70 anos.

Além dos idosos, o PT pretende intensificar ações em periferias de grandes cidades e conta com candidatos a governos estaduais para estimular a participação em regiões onde Lula possui maior apoio. Entre os nomes citados estão Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Rafael Fonteles (PT-PI) e Elmano de Freitas (PT-CE).

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro mantém como uma das principais estratégias o chamado voto útil. O objetivo é atrair eleitores de candidatos da direita que, segundo os aliados do senador, não teriam condições de avançar ao segundo turno. Entre os nomes mencionados estão Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Outra frente da campanha de Flávio é o debate da TV Globo, marcado para quinta-feira (30), às 21h20, após o Jornal Nacional. Lula não participará do encontro, que reunirá os demais candidatos. A equipe do senador avalia que a exposição poderá ser usada para apresentar sua candidatura a eleitores que ainda não definiram o voto ou que apoiam outros nomes.

Segundo integrantes das duas campanhas ouvidos pela reportagem, a abstenção é considerada um fator relevante na reta final. Enquanto o grupo de Lula tenta ampliar o comparecimento de segmentos com maior índice de ausência, aliados de Flávio avaliam que o apelo ao voto útil também pode funcionar como estímulo para levar eleitores às urnas no domingo.

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