
O desempenho abaixo do esperado no primeiro turno da eleição presidencial levou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a reavaliar a estratégia para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Com o adversário à frente nas urnas, o grupo petista considera reformular a comunicação e ampliar a articulação política.
Segundo integrantes da campanha, Lula perdeu espaço em importantes centros eleitorais, especialmente em Minas Gerais e São Paulo. A avaliação interna também aponta a necessidade de aumentar a rejeição ao candidato do PL, que aparece com índices semelhantes aos do petista nas pesquisas de opinião.
Durante a apuração, Lula acompanhou a contagem dos votos de um hotel em São Paulo. Na noite de domingo (4), após o resultado, o presidente reconheceu que esperava vencer no primeiro turno e afirmou que a partir desta segunda-feira (5) começaria uma nova campanha, agora concentrada na disputa entre os dois candidatos.
Em Brasília, a expectativa era de uma reunião da coordenação da campanha nesta segunda-feira para definir os próximos passos. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu a ampliação do diálogo com partidos de centro e a busca por novos apoios para a segunda etapa da eleição.
A comunicação interna também deve entrar no centro da discussão. O setor reúne diferentes núcleos, ligados aos marqueteiros Sidônio Palmeira e Raul Rebelo, ao fotógrafo Ricardo Stuckert, à responsável pelas redes sociais do PT, Nicole Briones, e à primeira-dama Janja Lula da Silva, sem uma coordenação considerada uniforme.
Inicialmente, a estratégia previa comparar os governos do PT com a administração de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, além de concentrar esforços nas regiões Sul e Sudeste. O planejamento, porém, foi elaborado quando as pesquisas ainda indicavam Lula numericamente à frente no cenário eleitoral.
Outro ponto avaliado pela campanha é a mobilização realizada durante a reta final do primeiro turno. Apesar da presença de apoiadores nos últimos atos em cidades como Recife, Belém, Salvador e São Paulo, integrantes do grupo relataram preocupação durante o domingo diante do avanço de Flávio nas urnas.
Por fim, a campanha petista também revisa problemas ocorridos no início da disputa. Uma falha na distribuição de material gráfico deixou apoiadores com capacidade limitada de pedir votos em diferentes estados, enquanto o discurso inicial priorizou a divulgação do governo. A estratégia mais ofensiva contra Flávio só ganhou força após o crescimento do candidato nas pesquisas.