
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que existe risco concreto de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte avançarem já no primeiro semestre de 2027, após a eleição de uma bancada conservadora expressiva no Congresso, especialmente no Senado.
Segundo integrantes do tribunal, uma das estratégias em discussão é ampliar o diálogo com parlamentares considerados moderados do PL, partido de Flávio Bolsonaro. A intenção seria evitar que toda a bancada da legenda apoie medidas mais duras contra ministros do Supremo e reduzir a possibilidade de abertura de processos.
No Senado que assumirá em 2027, pelo menos 49 parlamentares são apontados como favoráveis ao afastamento de ministros do STF. A abertura de um processo de impeachment, porém, exige 54 votos, o equivalente a dois terços dos 81 integrantes da Casa, que também terá papel decisivo na condução desses procedimentos.
Entre os ministros, o cenário é considerado um desafio institucional para o presidente do STF, Edson Fachin. A avaliação é de que a Corte continuará no centro das disputas políticas independentemente do resultado do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Para os magistrados, a nova composição do Congresso poderá fortalecer uma chamada bancada anti-STF, com potencial para apoiar propostas destinadas a limitar decisões individuais de ministros e facilitar a tramitação de pedidos de impeachment. A eleição da nova Mesa Diretora do Senado, prevista para fevereiro, é vista como um momento importante para definir os próximos movimentos.
O entorno de Alexandre de Moraes também acompanha com preocupação a nova composição parlamentar. Interlocutores do ministro avaliam que a configuração do Congresso pode afetar os planos para que ele assuma a presidência do Supremo em setembro de 2027, quando está previsto que suceda Fachin no comando da Corte.
Já aliados do ministro Flávio Dino consideram que ele poderá estar entre os primeiros integrantes do STF alvo de iniciativas de afastamento em um eventual cenário de maioria bolsonarista no Congresso. A preocupação ocorre em meio à previsão de novas mudanças na composição do tribunal durante o próximo mandato presidencial.
Além disso, três aposentadorias estão previstas para os próximos anos: Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030. A Corte também possui uma vaga aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, ampliando a importância das futuras indicações presidenciais para a composição do Supremo.