
Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro mostram que o banqueiro e o advogado Walfrido Warde articularam, em 2025, contatos com integrantes do governo Lula para tratar dos interesses do Banco Master. As conversas ocorreram enquanto o Banco Central analisava a tentativa de venda da instituição ao BRB, operação posteriormente rejeitada pela autoridade monetária.
Segundo o material, Warde sugeriu que Vorcaro buscasse Guido Mantega, contratado como consultor do Master, para aproximá-lo de Lula. Em uma das conversas, o advogado afirmou que Mantega estava em Londres e propôs o envio de uma aeronave para viabilizar seu retorno e um encontro com o presidente.
Além disso, Vorcaro pediu que Warde tentasse falar diretamente com Lula e classificou essa iniciativa como uma oportunidade decisiva para discutir a situação do banco. O advogado respondeu que buscava contato com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava a chefia do gabinete pessoal do presidente.
Outro trecho das mensagens menciona uma pessoa identificada apenas como “Alexandre”. O conteúdo não permite afirmar que a referência fosse ao ministro Alexandre de Moraes. Warde disse que pretendia “pavimentar” o contato, mas as mensagens não esclarecem quem seria o destinatário nem qual medida seria solicitada.
Paralelamente, as conversas registram uma articulação envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, e informações atribuídas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Vorcaro relatou ter recebido de Motta informações sobre uma conversa com Galípolo e orientou Warde a levar o assunto ao presidente Lula.
No Planalto, Lula recebeu Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, em reunião que também contou com Guido Mantega, Rui Costa, Alexandre Silveira e Gabriel Galípolo. Segundo a Presidência, o presidente determinou que eventuais questões envolvendo o Master fossem avaliadas tecnicamente pelo Banco Central.
Após a reunião, o Banco Central rejeitou, em setembro de 2025, a venda do Banco Master ao BRB. Dois meses depois, a autoridade monetária decretou a liquidação da instituição. As circunstâncias envolvendo as articulações políticas e os negócios do banco passaram a integrar investigações conduzidas pelas autoridades.