
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou as negociações com lideranças partidárias para tentar permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. A movimentação ocorre diante da pressão do PL, que elegeu 121 dos 513 deputados e busca conquistar a presidência para um representante alinhado ao bolsonarismo.
Nesta terça-feira (13), Motta recebeu o apoio formal do PSD, liderado na Câmara por Antônio Brito (BA), considerado um possível concorrente na disputa. O presidente também conversou com representantes de outras legendas do Centrão e manteve reuniões em Brasília para ampliar sua base de sustentação antes da eleição interna do Legislativo.
Entre os partidos que sinalizaram apoio ao atual presidente estão MDB, Republicanos e setores da federação formada por União Brasil e PP. O PT também indicou adesão à candidatura, mas ainda precisa concluir as discussões internas. A expectativa é que PCdoB, PV e PSB acompanhem a posição da base governista, embora as articulações ainda não representem um acordo definitivo de todas as siglas.
Na avaliação de parlamentares envolvidos nas negociações, a disputa ganhou importância diante do crescimento da direita no Congresso e da possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição presidencial. Parte da federação União-PP considera que a permanência de Motta poderia funcionar como contrapeso político a um eventual governo bolsonarista. O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) chegou a ser citado como possível concorrente, mas não intensificou a busca por apoios.
O apoio de partidos do Centrão e da base governista pode fortalecer Motta, que também mantém conversas com Solidariedade, Podemos e PSDB. A eleição para a presidência da Câmara ocorrerá em fevereiro de 2027, após a posse dos novos parlamentares. Na mesma ocasião, os deputados escolherão a nova direção da Casa, enquanto os senadores definirão o comando do Senado.
A relação entre Motta e o PL se desgastou após o presidente da Câmara deixar de pautar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Outro ponto de atrito foi a aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive durante a campanha eleitoral na Paraíba. Apesar de ter sido eleito inicialmente com apoio do PL, Motta agora busca reunir partidos de diferentes campos políticos para viabilizar a reeleição.