Abstenção eleitoral é maior entre os mais pobres e pode ter afetado votação de Lula

A abstenção no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 foi maior entre os eleitores de menor renda do que entre os mais ricos, segundo levantamento que cruzou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações socioeconômicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os 20% mais pobres, 21,3% deixaram de votar, ante 20,3% no grupo dos 20% mais ricos, uma diferença de um ponto percentual.

O resultado representa uma mudança em relação a eleições anteriores, quando a ausência nas urnas era mais frequente entre os eleitores de maior renda. Em 2006, por exemplo, a abstenção foi de 15% entre os mais pobres e de 16,9% entre os mais ricos. Em 2014, os índices chegaram a 18% e 19,3%, respectivamente. Já em 2022, a taxa foi de 20,6% entre os mais pobres e 20,1% entre os mais ricos.

Segundo a análise, a maior abstenção entre os eleitores de baixa renda pode ter prejudicado o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, já que o presidente concentra maior apoio nesse segmento. Na faixa de renda média equivalente a 0,7 salário mínimo, cerca de R$ 1,1 mil, Lula obteve 76% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) alcançou sua maior votação, de 56%, entre eleitores com renda média de 2,9 salários mínimos, aproximadamente R$ 4,7 mil.

Para o cientista político Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), a diferença entre os grupos não deve ser superestimada. Entre os fatores que podem dificultar o comparecimento dos mais pobres estão os custos de transporte, a necessidade de cuidar dos filhos e a responsabilidade de acompanhar familiares dependentes. O pesquisador também aponta o desgaste com a política e a falta de confiança nas instituições como possíveis motivos para o afastamento das urnas.

O estudo abrange 1.170 municípios e aproximadamente 114,5 milhões de eleitores aptos a votar em 2026. A metodologia combina resultados por seção eleitoral do TSE com dados de renda e território do IBGE, classificando os locais de votação em cinco grupos socioeconômicos dentro de cada município.

Outro levantamento aponta que a renda continua sendo um fator importante para explicar a distribuição dos votos na disputa presidencial. Na comparação com o primeiro turno de 2022, Lula perdeu votos em quase todas as faixas de renda, enquanto Flávio Bolsonaro avançou entre diferentes segmentos. Os dados indicam que Lula mantém maior apoio entre os eleitores mais pobres, enquanto Flávio registra vantagem nas faixas de renda superiores.

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