Flávio Bolsonaro condiciona abertura de sigilos à divulgação de dados de Marcola e formaliza proposta ao TSE

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita abrir seus sigilos fiscal e telefônico, desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também autorize a divulgação de informações de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. A condição foi apresentada publicamente durante um evento de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, e formalizada pela equipe jurídica do candidato em manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A proposta ocorre após a campanha de Lula protocolar, na terça-feira (20), um documento no TSE oferecendo a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente, caso Flávio fizesse o mesmo. A iniciativa foi apresentada como resposta às acusações de corrupção feitas pelo adversário. Inicialmente, auxiliares do senador indicaram que ele não aceitaria o desafio, mas a campanha mudou de posição nesta quarta-feira.

Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, Marcola teria recebido dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A investigação aponta que a empresária tentava negociar contratos com o governo federal, mas os acordos mencionados não chegaram a ser concretizados. Os fatos integram apurações que precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes.

Durante o discurso em Guarulhos, Flávio declarou que não apenas aceitava a proposta, como pretendia levá-la às últimas consequências, mas reiterou que a divulgação dos próprios dados dependeria da abertura dos sigilos de Marcola. O senador também atacou Lulinha e afirmou que não deveria ser comparado ao filho do presidente. Em outro momento, ironizou a possibilidade de Lula apresentar informações telefônicas, questionando se o petista teria celular.

Além das críticas ao governo federal, o candidato direcionou ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Flávio acusou o magistrado de ter contribuído para a eleição de Lula em 2022 e afirmou que o presidente teria compartilhado o poder com o ministro. Também criticou possíveis indicações futuras ao Supremo e prometeu escolher nomes que, segundo ele, respeitem a Constituição e se posicionem contra as drogas e o aborto.

No mesmo evento, realizado em um salão com capacidade para cerca de 7 mil pessoas, também discursaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de parlamentares e candidatos eleitos pelo PL. As falas incluíram críticas a ministros do STF e referências à possibilidade de processos de impeachment. Flávio ainda contestou um julgamento no Supremo sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, tema relacionado a uma ação apresentada pelo PSOL em 2017 e ainda em tramitação.

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