
Depois de afirmar que o PL da Dosimetria não passaria pela CCJ nem pelo plenário, o senador Otto Alencar adotou silêncio após a aprovação do texto. O recuo deixou o desgaste político concentrado no senador Jaques Wagner, líder do governo, especialmente entre parlamentares baianos e integrantes da base aliada no Congresso.
Presidente da CCJ, Otto foi um dos críticos mais duros do projeto quando ele avançou na Câmara. Defendeu análise rigorosa e chegou a atacar a condução da proposta. Na prática, porém, conduziu a tramitação e, após articulação com Wagner, reduziu o prazo de vista de cinco dias para quatro horas, o que acelerou a votação.
Enquanto Wagner assumiu publicamente o acordo com bolsonaristas para viabilizar a votação em troca de pautas do governo, Otto não se pronunciou. A manobra gerou críticas de ministros e acusações de benefício a condenados do 8 de Janeiro. Embora tenha votado contra o mérito, Otto foi decisivo para o avanço do texto.