CNBB defende democracia em carta de Ano-Novo e alerta para retrocessos éticos e sociais no Brasil

Carta divulgada no fim de 2025 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acendeu um alerta sobre o cenário político e social do país. O documento expressa “grave preocupação” com retrocessos na ética pública e no cuidado com os pobres, ao mesmo tempo em que reafirma a democracia como um patrimônio que exige diálogo, respeito institucional e compromisso com a justiça social.

Sobre o ambiente democrático, a entidade avalia que 2025 foi marcado por tensões profundas e retrocessos sociais que fragilizaram a confiança nas instituições. Segundo os bispos, disputas de poder e interesses econômicos deixaram feridas no tecido social, desafiando cidadãos que acreditam em uma sociedade mais justa, fraterna e baseada na verdade.

Para a CNBB, a democracia precisa ser permanentemente cuidada e promovida, mesmo com imperfeições. O texto destaca que o respeito aos freios e contrapesos institucionais é essencial para que justiça e verdade caminhem juntas, permitindo a reconstrução da confiança e a pacificação das relações políticas e sociais no país.

Entre os principais desafios éticos apontados estão a perda de decoro por parte de autoridades, especialmente no Congresso Nacional, o enfraquecimento da ética pública, o avanço da corrupção e a fragilização de mecanismos democráticos. A carta também critica mudanças na Lei da Ficha Limpa e na legislação ambiental.

Além disso, os bispos manifestam preocupação com ameaças ao meio ambiente, aos povos originários e tradicionais, citando o marco temporal aprovado no Congresso. O texto condena o discurso de ódio, a intolerância, a manipulação da verdade e o aumento da violência, com destaque para crimes como o feminicídio.

Outro ponto sensível envolve a desigualdade social persistente e o impacto do pagamento da dívida pública, que limita investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, moradia e segurança. A CNBB também alerta para o avanço do uso de drogas e o fortalecimento de economias ilícitas no país.

Apesar das críticas, a carta reconhece avanços registrados em 2025. No campo social, os bispos destacam o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, com aumento da proporção de médicos por habitante. Já na economia, citam a queda do desemprego, inflação controlada e crescimento moderado do PIB.

No comércio exterior, a entidade valoriza a retirada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e a abertura de novos mercados internacionais. Na agenda ambiental, ressalta o protagonismo do Brasil em energias renováveis e a realização da COP30, em Belém, como símbolo do compromisso com o combate à crise climática.

Valores cristãos também ocupam espaço central no documento. A CNBB reafirma posição contrária à legalização do aborto e defende a sacralidade da vida desde a concepção. Ao mesmo tempo, amplia o conceito de defesa da vida ao combate à fome, à miséria e à desigualdade social.

Mensagem final aposta na esperança como força transformadora para 2026. Ao citar dom Helder Câmara e o poeta Thiago de Mello, os bispos afirmam que, mesmo diante das dificuldades, o país precisa reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo para construir um futuro mais justo.

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