Tarcísio usa crise na Venezuela, endurece discurso eleitoral e ajusta distância de Trump

Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entrou no debate sobre a crise na Venezuela com um vídeo de forte tom político, elogiado pela militância bolsonarista e lido por aliados como sinal claro de projeção nacional. Mesmo de férias, o chefe do Executivo paulista escreveu o texto e gravou a mensagem, associando a queda de Nicolás Maduro ao cenário eleitoral brasileiro.

Vídeo publicado nas redes sociais atacou diretamente o presidente Lula (PT), acusado de apoiar o regime venezuelano. Tarcísio evitou citar Donald Trump, mas concluiu a fala com uma mensagem eleitoral: disse esperar que, assim como a Venezuela, o Brasil “vença a esquerda” ainda este ano, em referência às eleições presidenciais.

Repercussão veio rápido. A primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, reforçou o discurso ao projetar uma vitória semelhante no Brasil em 2026. Já a ministra Gleisi Hoffmann reagiu com dureza, acusando o governador de cinismo e lembrando o alinhamento anterior de Tarcísio a Trump e ao bolsonarismo mais radical.

Aliados avaliam que a fala teve cálculo político. Embora Tarcísio repita publicamente que disputará a reeleição em São Paulo, ele é visto por setores do centrão e do mercado como nome competitivo ao Planalto. O movimento ocorre em meio à tentativa do bolsonarismo de reorganizar forças após Flávio Bolsonaro lançar-se pré-candidato.

Diferença em relação a outros governadores de direita chamou atenção. Caiado, Ratinho Jr. e Zema comentaram a queda de Maduro sem ligar o episódio ao Brasil. Tarcísio, ao contrário, fez conexão direta com a disputa eleitoral, reforçando a leitura de que busca protagonismo nacional no debate político.

Postura diante de Trump também mudou. Depois de sofrer desgaste ao minimizar o impacto do tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros, o governador evitou qualquer menção ao presidente americano. A omissão foi interpretada como tentativa de recalibrar a imagem após críticas sobre alinhamento automático aos Estados Unidos.

Críticas do PT se intensificaram após a declaração. Gleisi afirmou que Tarcísio tenta responsabilizar Lula por uma intervenção militar estrangeira e lembrou episódios como a defesa da anistia a golpistas e o apoio a ações de Eduardo Bolsonaro no exterior, elevando o tom do embate político.

Discurso eleitoral, segundo interlocutores do Palácio dos Bandeirantes, já está incorporado à estratégia do governador. Vídeos recentes com frases como “Fora PT” e mensagens de ano novo em tom político reforçam a aproximação com a base bolsonarista, enquanto Tarcísio mantém aberto o discurso de união da direita.

Contexto internacional amplia o peso do debate. A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela, considerada a maior intervenção na América Latina em décadas, terminou com a captura de Maduro e sua transferência para julgamento por narcoterrorismo. O episódio virou combustível político no Brasil e abriu espaço para novos movimentos no tabuleiro eleitoral.

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