
Nascido no coração do Alto Sertão Baiano, Jorge Couto Pimentel estreia na literatura com uma obra que mistura memória, pesquisa e identidade. O livro “A incrível expedição a Brejinho das Amethystas” será lançado no dia 31, às 19h, em frente à Igreja Nossa Senhora D’Ajuda, na comunidade onde o autor nasceu, no município de Caetité, reunindo moradores, autoridades e convidados.
Inspirado pela frase “olhei da esquina da casa que nasci e vi a história do Brasil”, o autor conduz o leitor por um sertão marcado pelo garimpo de ametistas, imigração e mistérios. A narrativa conecta lembranças pessoais, entrevistas e documentos para revelar singularidades de Brejinho das Ametistas, local moldado pela mineração e pela resistência cultural de um povo pouco retratado.
Ao longo do livro, Jorge reconstrói sua relação com a terra natal ao revisitar personagens, moradas e versões da história local. A jornalista Chiara Quintão, que acompanhou todo o processo, destaca que o autor “lapida pedras brutas da memória” e transforma oralidade e registros em um mosaico que amplia a compreensão sobre as origens e o Brasil profundo.
Para o autor, o sertão onde nasceu reflete muitos outros interiores do país marcados pelo apagamento histórico. Ainda assim, ele aponta a força cultural que resiste como pedra lapidada. Ao revisitar a própria ancestralidade, Jorge propõe uma reflexão sobre pertencimento, identidade e a capacidade de ressignificar histórias a partir de onde se vem.
Durante o lançamento, o escritor pretende devolver a obra à comunidade que a inspirou. O evento reunirá personagens do livro, moradores locais, vereadores e o prefeito Valtécio Aguiar, além de convidados de outros estados. A proposta é transformar o encontro em celebração do patrimônio cultural sertanejo e da memória coletiva de Brejinho.
Formado em Medicina Veterinária, Jorge Couto Pimentel vive em São Paulo, onde atua como executivo do setor farmacêutico veterinário e mentor em desenvolvimento humano. Filho de garimpeiro e costureira, ele nunca rompeu os laços com o Alto Sertão Baiano e encontrou na pesquisa histórica o caminho para eternizar a força e a identidade de sua origem.