
Cidade do oeste da Bahia virou alvo de investigações após denúncias de abuso de poder envolvendo um juiz e um delegado. As apurações indicam suposto conluio, fraude processual e coação psicológica em casos de crimes sexuais. O foco recai sobre a atuação do juiz Paulo Rodrigo Pantusa e do delegado Sandro Marco Nunes Gomes, ambos citados em relatos que levantam suspeitas graves.
Relatos descrevem que uma adolescente de 14 anos foi retirada da casa da avó por conselheiros tutelares e policiais. A ação teria contado com a presença do próprio juiz e de sua assessora. Segundo depoimentos manuscritos, a jovem foi levada para prestar declarações falsas contra um homem mantido preso de forma ilegal, o que reforça as acusações de perseguição e abuso institucional.
Segundo a adolescente, autoridades apreenderam seu celular e exigiram a senha. Em outros momentos, ela afirma ter sido conduzida ao fórum e à delegacia, onde sofreu pressão psicológica direta. O relato cita ameaça de envio para uma casa de acolhimento em Salvador caso não colaborasse. A assessora do magistrado também teria reforçado a coação.
Denúncia aponta ainda irregularidades durante escutas especializadas realizadas no Creas. A presença da assessora do juiz na sala violaria a Lei 13.431/2017, criada para proteger crianças e adolescentes de constrangimentos. A defesa sustenta que as provas foram obtidas por “tortura psicológica”, o que levaria à nulidade absoluta dos processos.
Defesa dos acusados, representada pelo advogado Aslon Victor Rodrigues Lima, entrou com habeas corpus no Tribunal de Justiça da Bahia. O pedido solicita a soltura dos réus e o trancamento da ação penal. Em resposta, o juiz negou as acusações e afirmou que agiu a pedido do pai da adolescente, que buscava ajuda diante da situação vivida pela filha.
Além desse caso, denúncias citam histórico problemático do magistrado em outras comarcas. Relatos indicam dificuldades de renovação de contratos em Guanambi e Caetité e apuração sobre possível adulteração de documentos no sistema eletrônico do Judiciário. A investigação envolveria órgãos federais, segundo informações obtidas pela reportagem.
Paralelamente, o delegado também enfrenta acusações graves. Ele é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil por suspeitas de fraude processual, extorsão e associação criminosa. A OAB-BA realizou desagravo público após relatos de ofensas a advogado e interferência em depoimentos. O MP-BA confirmou que apura os fatos, sob sigilo.