
Provocação marcou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao citar um suposto “parentesco com Lampião” ao falar de Donald Trump. A declaração, feita no Instituto Butantan, foi além do humor e soou como recado político duro, ao sinalizar que o Brasil não aceitará intimidações em um cenário internacional cada vez mais tenso.
Segundo Lula, a fala expôs um traço calculado de enfrentamento simbólico. Ao se definir como “tinhoso” e “teimoso”, o presidente reforçou a imagem de resistência diante de líderes que apostam na força e na pressão política como instrumentos de poder global.
Apesar do tom irônico, o presidente deixou claro que o embate não é pessoal, mas ideológico. Lula afirmou que o governo brasileiro rejeita provocações diretas e trabalha para construir uma narrativa internacional capaz de conter avanços unilaterais que ameaçam o equilíbrio entre as nações.
Nesse contexto, Lula elevou o discurso ao alertar para os riscos do unilateralismo. O presidente afirmou que a lógica do mais forte contra o mais fraco representa perigo real à estabilidade mundial e não atende aos interesses do Brasil nem de países em desenvolvimento.
Ao defender o multilateralismo, Lula resgatou o período pós-Segunda Guerra Mundial como exemplo de cooperação internacional. O petista disse que a harmonia entre Estados só foi possível com regras comuns, diálogo político e respeito institucional, elementos hoje ameaçados por disputas de poder.
Por fim, o presidente confirmou contato direto com Trump e a previsão de um encontro em Washington, em março. O gesto indica que, apesar da provocação calculada, o governo brasileiro aposta no diálogo firme, mas diplomático, para enfrentar um cenário global marcado por tensão e instabilidade.